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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cinema e axé

Foto//Correio da Bahia


Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte, estará no FiCBrasília e na Mostra Brasília do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O produtor baiano-brasiliense Ronaldo Guedes (e babalorixá Ronaldo de Oxum) deu uma bela entrevista à jornalista Margareth Xavier, do Correio da Bahia. Revelou que prepara o documentário Iroko. de Cibele Amaral. Vejam:


Ronaldo Guedes, 41 anos, é produtor de cinema e levou para casa, entre outros prêmios, o de melhor longa-megragem- ficção do Festival do Rio 2008 com Se nada mais der certo, dirigido por José Eduardo Belmonte. Ronaldo de Oxum é babalorixá do ILê Omin, a Casa do Mel.
Ronaldo Guedes é Pai Ronaldo de Oxum,um baiano-brasiliense que, entre o cinema e a religião, define com clareza seus diferentes papéis, inclusive quando se trata de unir as duas coisas.

'As religiões de matriz africana não devem ser vistas de maneira folclorizada. Se é para falar de candomblé, vamos respeitar os seus mistérios, guardar os seus segredos, mas não repetir os erros do passado', comenta. Ou seja, nada de tratar a religião como algo exótico, restrito a guetos. Não é à toa que eles e deixa fotografar em suas vestes sagradas, com o prêmio nas mãos. 'A religião é mais uma das dimensões de nossa vida'.

Com filhos e filhas espalhados entre os dois estados desde que abriu sua casa - primeiro em Salvador, há mais de 20 anos, e depois em Brasília, há 18 - esse sacerdote iniciado por Pai Raimundo de Oxum, no Ilê Ninfa Omin, sempre dedicou um espaço especial para a arte. Em seus terreiros, teatro, música e literatura sempre conviveram em harmonia com os preceitos da religião. Harmonia essa que Ronaldo leva também para fora da casa, quando está na 34 Filmes, produtora da qual é sócio há12 anos, em Brasília. Entre curtas e longas, a empresa acumula prêmios e projetos e trabalha com nomes que começam a se firmar na cena. 'Trabalhar com o Belmonte, por exemplo, tem sido uma experiência excepcional, pelo seu talento e competência', elogia.

Como mesmo cuidado que conduz sua produtora e o terreiro, Pai Ronaldo fez também uma participação especial em Se nada mais der certo. Aparece no final do filme, na areia, pronto para abraçar e 'Aquele jogo na Barra Funda não deu certo, aquele serviço com o Gordo não deu certo, aquele truque do Antenor não deu certo...',

Curiosidade é que foi exatamente um filme de Nelson Pereira dos Santos, O amuleto de Ogum (1974), que despertou o interesse de Pai Ronaldo de Oxum pelo cinema. 'Não tinha televisão na época. Vi na casa de uma vizinha, que à noite deixava a porta aberta para a criançada da rua que queria ver tevê', lembra o produtor.


Esse olhar avesso à discriminação é condutor também do Projeto Irôko, documentário dirigido por Cibele Amaral e montado por José Eduardo Belmonte e Herbert Amaral. Em fase de finalização, o filme traz narrativas de sacerdotes e imagens do culto ao Irôko em Brasília e Salvador.


O projeto nasceu na Casa do Mel, em Brasília, e além de religiosos agrega diversos artistas e intelectuais interessados no tema. 'É muito bom ver o candomblé deixar de ser visto como algo exótico. É belo, sim, e é por isso que deve ser mostrado', comenta.


Em fase de finalização, o filme traz narrativas de sacerdotes e imagens do culto ao Irôko em Brasília e Salvador. O projeto nasceu na Casa do Mel, em Brasília, e além de religiosos agrega diversos artistas e intelectuais interessados no tema. 'É muito bom ver o candomblé deixar de ser visto como algo exótico. É belo, sim, e é por isso que deve ser mostrado', comenta. Oferecer uma nova saída quando tudo parece dar errado. 'Por que não mostra o candomblé naturalmente na mídia, como outras religiões, sem cair na caricatura ou na folclorização?', questiona.





2 comentários:

Emilia Rosa disse...

É uma missão séria levar o candomblé para um lugar de direito, da religião e da filosofia, terreiro das artes. Fiquei intrigado em conhecer a Casa do Mel em BSB, deev ser um espaço inquietante e aberto á criação.

Michelle Sanches disse...

Conheci Ronaldo no Festival de Brasília, na praça, é um homem sábio e culto. Fiquei feliz em saber que ele também faz o sonho do artista virar realidade.