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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Crítica // Subterrâneo // Gumboot Dance Brasil (SP)



Subterrâneo contagia com ritmo e ancestralidade



Vanessa Castro*

Sessão assistida no dia 18 de julho de 2019 no Palco Giratório

   Com coreografias elaboradas, que se misturam ao coro dos atores em alguns momentos e em sintonia de uma banda estratégica no palco (composta por bateria, baixo, violão) o corpo e a voz são uníssonos em Subterâneo. O elenco da montagem, em grande maioria negra e de moradores de comunidades da grande São Paulo, mistura-se simbolicamente à plateia do Sesc Newton Rossi, localizado na Ceilândia, maior região administrativa da capital federal (também em grande maioria negra), imprimindo na atmosfera do teatro as nuances da representatividade entre o real e o teatral.



    Memória, história e coreografias ritmadas ditam o tom do espetáculo produzido pela companhia paulista Gumboot Dance Brasil. A linha do tempo do espetáculo traça um paralelo entre as vivências dos mineiros africanos do século 19 e a sobrevivência da população negra e periférica espalhada nas grandes metrópoles brasileiras do século 21. Aborda a exploração de mão de obra, as condições insalubres e indignas de trabalho, dos homens e mulheres que manejavam toneladas de riquezas revestidas em ouro. Fortuna essa que jamais herdariam, mas que, ainda em tempos atuais, serve como moeda de troca, no sistema feroz capitalista da produção.


       O rústico elevador que dá acesso à mina de ouro, uma das inúmeras dos vilarejos da África do Sul de séculos atrás, no auge da mineração dourada, produz uma atmosfera de movimento e também de reflexão social silenciosa.  Com atores vestindo uniformes de operários, com pontos de luz estratégicos em suas botinas, a dança e arte Gumboot iluminam a esperança de dias melhores, não somente naquele espaço/tempo cênico, mas também em tempos cotidianos, de falta de amparo para as artes.
Subterrâneo é uma provocação urgente para que a vida, a arte e os homens possam caminhar rumo à luz do entendimento coletivo.



Vanessa Castro é jornalista e produtora. 

Realizou o show das cantoras Thathi e Monique Kessous no Clube do Choro, o Humor Federal, pioneiro no stand up na Funarte com os humoristas Rafhael Galvão, TJ Fernandes e Rodrigo Capella e também o espetáculo ELA nas escolas públicas de Ceilândia, com o fomento do FAC (Fundo de Incentivo à Cultura) em parceria com a companhia teatral, O Hierofante. 








domingo, 11 de agosto de 2019

Crítica // Virgínia numa noite climão // Novos Candangos (DF)





Deboche com D maiúsculo

Mila Ferreira 
* Sessão do dia 25/07 no Palco giratório em Brasília

Dois casais, muito álcool, briga de egos e uma boa dose de constrangimento. “Virgínia numa noite climão” é uma comédia recheada de sarcasmo e deboche. A personagem central é uma atriz desbocada que acaba de perder um prêmio que tinha certeza que ganharia. Inspirado na obra “Quem tem medo de Virgínia Wolf”, de Edward Albee, o espetáculo traz como protagonistas os mesmos personagens da obra original: George e Marta. 

Alexandra Medeiros rouba a cena ao dar vida a uma Marta magoada, embriagada e sem papas na língua, que faz questão de receber em casa os ganhadores do prêmio que ela desejava.



Uma narrativa dramática construída em torno do convívio social de personagens totalmente alcoolizados traz à tona as mais diversas facetas do comportamento humano. O eixo central da dramaturgia é a briga de egos entre dois casais de artistas que disputaram o mesmo prêmio. Além disso, são abordadas ainda temáticas como ciúmes, crise no casamento, inveja, traição, entre outros.

O clima constrangedor entre os personagens é pulsante e dessa atmosfera é criada uma dramaturgia hilária. George e Marta zombam dos próprios fracassos enquanto ofendem Mel e Fúvio, o casal ganhador do prêmio de melhor espetáculo. A ingenuidade do casal vencedor não permite que eles entendam as alfinetadas, gerando uma interação divertidíssima. 

Os diálogos são cheios de deboche e ironia, trazendo um humor ácido e inteligente. As referências à cena teatral de Brasília enriquecem a narrativa e geram sensação de pertencimento no público. O cenário e a iluminação fazem a plateia sentir-se parte do regabofe, onde é servido álcool, amendoim e uma boa torta de climão. O figurino é composto por trajes de gala que dão o tom de uma reunião pós-prêmio.




A combinação de um cenário, iluminação e figurinos apropriados com um elenco afiado e um roteiro bem construído fez com que o público saísse do teatro com a mandíbula dormente de tanto rir.

Mila Ferreira


Jornalista, escritora, roteirista e atriz em formação. 
Experiência como ghost writer, roteiro para TV, 
adaptação de roteiro para teatro, 
assessoria de comunicação e produção teatral. 
Amante do teatro e da arte em todas as suas formas.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

“Os caminhos da igualdade e o trabalho decente" - OIT e MPT inauguram exposição fotográfica







 A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) inauguram a Exposição “Os caminhos da igualdade e o trabalho decente: uma mostra dos resultados do Projeto de Promoção do Trabalho Decente para Pessoas em Situação de Vulnerabilidade”, nesta quinta-feira, 8 de agosto, às 19h, no Espaço Cultural Renato Russo,em Brasília.

Foto de Jason Lowe


A mostra reúne a obra do fotógrafo humanitário irlandês Jason Lowe, que mergulhou nos bastidores do projeto desenvolvido pela OIT Brasil e pelo MPT. Com suas lentes, ele captou a trajetória de cidadãs e cidadãos em diversas situações de vulnerabilidade, que, por meio do projeto, conquistaram uma oportunidade de formação e o ingresso no mercado de trabalho. Agora, o público vai poder acompanhar o processo de transformação das pessoas beneficiadas pelas ações e iniciativas do projeto.

Foto de Jason Lowe


"Gosto de estar invisível nesses espaços. Passo muito tempo em silêncio e me emociono ao perceber como a descoberta do conhecimento ilumina os rostos das pessoas”, disse Lowe, que montou um acervo com mais de 4 mil fotos sobre o projeto.

Um dos projetos de maior destaque, pelo número de beneficiários, pelos resultados e pela abrangência geográfica é o Cozinha&voz, voltado para a formação de assistentes de cozinha. Sob a coordenação técnica da cozinheira Paola Carosella no componente Cozinha, o projeto conta também com o apoio de Neide Rigo e Fernanda Cunha. Já o componente Voz, coordenado pela atriz e poeta Elisa Lucinda e pela atriz e diretora Geovana Pires, é composto por uma oficina de uma semana, onde alunos e alunas, por meio da poesia, criam novas ferramentas para a comunicação no trabalho, acessam sonhos e constróem novos caminhos.



John Maia, de 35 anos, um homem transexual que participou do “Cozinha&Voz” em Goiânia, é uma das pessoas retratadas na mostra. Ex-morador em situação de rua na Cracolândia de São Paulo e ex-detento, John é hoje monitor de projetos voltados à populações vulneráveis em Goiânia. Ele emociona-se ao falar dos caminhos que se abriram após participar da primeira edição do programa.  

John e Paola: encontro de vida


Eu saí de todos os lugares. Eu saí da rua. Eu saí do presídio. O colchão deles um dia já foi meu colchão. Então, eu inspiro pessoas porque veem que podem mudar de vida”, disse ele.





A Cozinha e a Voz andam juntas e se complementam na formação mais eficaz do grupo. Dessa experiência, nasceu a palestra-show “Palavra é Poder”, na qual Elisa, entre situações cotidianas e poemas, reflete sobre temas como discriminação, racismo e a busca pelaigualdade e justiça social. Na mesma noite da abertura da exposição, ela fará essa palestra-show, às 20h, na Sala Marco Antônio Guimarães.

Sobre o Projeto
Lançado em outubro de 2017, o Projeto de Promoção do Trabalho Decente para Pessoas em Situação de Vulnerabilidade é uma parceria entre a OIT Brasil e o MPT. O objetivo é contribuir para a defesa e o cumprimento dos direitos humanos, com enfoque nos direitos laborais e na promoção do trabalho decente para pessoas e grupos em condição de vulnerabilidade.  Para isso, o Projeto promove ações de inclusão efetiva de grupos excluídos em razão de preconceitos de natureza diversa.

"A exposição faz parte das comemorações no Brasil do centenário da OIT. Com ela, queremos compartilhar conhecimento de boas práticas e contribuir ainda mais para a promoção do trabalho decente para pessoas e grupos em condição de vulnerabilidade.”, disse o Diretor do Escritório da OIT no Brasil, Martin Georg Hahn.

  1. Após quase dois anos de trabalho, muitas ações já são consideradas boas práticas, a saber: Versos de Liberdade; Aprendizando POA; Cozinha&Voz; Ubuntu; Começar de Novo; Canal Preto; Igualando Oportunidades: trabalho e cidadania; Mulheres Coralinas; Guia e video sobre assédio sexual no trabalho; documentário “As recicláveis”; série “O futuro que queremos”; “Não há limites para o trabalho digno”; Jovens promotores de direito antidiscriminatório; Formação profissional e inclusão de jovens em medidas sócio educativas; Costurando Poemas; Longe das ruas, perto dos sonhos; Mulheres sobreviventes ao escalpelamento; e Solano Trindade.

Mais de 2.000 pessoas foram atendidas diretamente pelas ações e iniciativas do Projeto, receberam formação profissional e muitas foram encaminhadas ao mercado de trabalho. Os materiais de campanhas de sensibilização e de informação foram vistos e utilizados – e seguem sendo usados – na formação de trabalhadores, empregadores, governos e atores da sociedade civil, gerando um impacto positivo em um número quase incalculável de pessoas.

 2019: OIT celebra 100 anos de trabalho pela justiça social
 

 O ano de 2019 marca 100º aniversário da OIT, a agência especializada da ONU para o mundo do trabalho. Nascida após a Primeira Guerra Mundial, a OIT foi criada em 1919, como parte do Tratado de Versalhes que pôs fim à guerra. A Organização foi fundada na crença de que a justiça social é essencial para a paz universal e duradoura. A OIT tornou-se a primeira agência especializada da ONU em 1946.

O Centenário oferece uma oportunidade não apenas de olhar para trás e celebrar a história e realizações da OIT, mas também de olhar para o futuro.

O centésimo aniversário proporciona uma plataforma única para reafirmar a relevância do mandato de justiça social da OIT e da Agenda do Trabalho Decente, e traçar um caminho que permitirá à Organização enfrentar novos desafios ao entrar em seu segundo século.

A OIT é a única agência das Nações Unidas que tem estrutura tripartite, na qual representantes de governos, de organizações de empregadores e de trabalhadores dos 187 Estados-membros participam em situação de igualdade das diversas instâncias da Organização.

Exposição fotográfica “Os caminhos da igualdade e o trabalho decente: uma mostra dos resultados do Projeto de Promoção do Trabalho Decente para Pessoas em Situação de Vulnerabilidade

Local: Praça Central do Espaço Cultura Renato Russo (508 Sul)
Abertura: Quinta-feira  8 de agosto de 2019
De 8 a 18 de agosto.
Horário:  terça a sábado, das 10h às 20h; domingo, das 10h às 22h
Entrada Franca

Contatos
Denise Marinho dos Santos
Oficial de Comunicação e Informação Pública da OIT Brasil
Telefone: (61) 2106 4625


Twitter: @OITBrasil

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Em Contracena #002 - Porque precisamos falar de teatro



Nasce o Bate-Língua, coletivo de críticos




💥 O Sesc Palco Giratório, maior projeto de circulação de espetáculos e ideias artísticas do país, deixou uma semente no DF. A partir das oficinas O Exercício da Crítica Teatral, ministrada por Sérgio Maggio, nas unidades da 504 Sul e do Sesc Ceilândia, nasceu o coletivo Bate-Língua, formado por multiartistas e jornalistas. Além de Maggio, Poema Muhlenberg (Nós no Bambu), Gisele Paula (atriz), Mila Ferreira (jornalista e estudante de artes cênicas), João Elias (jornalista e estudante de artes cênicas) e Vanessa Castro (jornalista e produtora) integram o coletivo, que, além de produzir críticas, vai lançar o podcast Bate-Língua. Eles gravaram, com o apoio do Sesc da 504 Sul, o piloto sobre Aquelas, uma dieta para caber no mundo, do Manada Teatral (CE), que, em breve, circulará nas redes.  

💪💋💪

Julia quer encher a Oficina do Perdiz de arte


Julia Perdiz, o pai e a parceira Tati Santana



💥 Uma oficina de teatro de Luciana Mauren abre novo ciclo de arte na Oficina de Perdiz. Quem comanda esse movimento é Júlia Perdiz, que, desde menina, via a movimentação dos ensaios das companhias no empreendimento mecânico-teatral do pai. 

Essa memória é uma das ignitoras que a levaram a cursar bacharelado em artes cênicas na UnB. “Não via muito as peças porque eram proibidas pra mim. Mas lembro-me das montagens de cenário e dos ensaios”, conta.  

A oficina semestral segue por todo o semestre, trabalhando o conceito de “espaço vazio”, de Peter Brook. 



Enquanto isso, Perdiz segue orgulho da filha artista, que caminha firme com seu legado.

🙌💙🙌


Fernanda Jacob embarca para Sampa



💥Fernanda Jacob segue para São Paulo para dar vida a Dona Ivone Lara, na fase áurea da maturidade. O musical Dona Ivone Lara - Um Sorriso Negro, dirigido por Elísio Lopes Jr., estreia no Teatro Sérgio Cardoso, abrindo a aguardada temporada em São Paulo. Aquecida pelas sessões de Afeto, espetáculo que acaba de cumprir funções no Distrito Federal, com o Grupo Embaraça, Fernanda está plena para dar voz a uma das maiores cantoras e compositoras brasileiras de todos os tempos. Desde 2018, cumpre esse papel com brilho e intensidade.



Ingressos para o musical 



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Eu Vi


Afeto é uma flor que brota no cerrado


💥Afeto é uma daquelas montagens que ficam à flor da pele do espectador. É difícil sair do teatro imune e não ser devorado pela voracidade do que se testemunhou no efêmero que se desfaz minuto a minuto.  O espetáculo redimensiona o Grupo Embaraça na cena do Distrito Federal como um dos mais promissores coletivos ao trazer uma dramaturgia inédita a partir de uma inquietação poética/social da companhia. 

Com questões caras como racismo e feminismo, ambas na ponta de lança de criação do grupo, o Embaraça atinge um equilíbrio entre estético e político, promovendo uma potente obra capaz de emocionar e indignar numa mesma face.

A leitura da carta fictícia que Fernanda Jacob executa em memória de sua tia é um dos momentos mais fortes da montagem. A menina de 15 anos veio para o Distrito Federal ludibriada por família para estudar e ter uma vida melhor.  Aqui, passou os dias em quase trabalho escravo de empregada doméstica e não viu sequer um livro escolar.  

O destino trágico dessa história ganha contornos nos olhos da atriz, numa verdade que impacta a plateia sobre o que a sociedade brasileira faz com as jovens negras de famílias carentes. A dor histórica da família de Fernanda torna-se de todos que a acompanha na íntegra dessa cena antológica de Afeto.

Os fragmentos dramatúrgicos ganham força ao longo de uma narrativa que parece não se esgotar. Recebem potência no jogos das duas ótimas atrizes. Fernanda contracena com a segura Thuanny Araújo e, juntas, recriam situações que nunca riscam à superficialidade. 

A montagem começa despretensiosa, numa cena de foyer, e vai ganhando uma densidade quadro a quadro. A mulher preta que envelhece sozinha. A mulher preta que é vista como um objeto sexual. A mulher preta que é colocada para servir. Não há como sair do teatro sem ser remexido por essas vivências.

Em um dado momento, elas gritam. “Não tenham medo das mulher preta!”. A essa altura, a plateia está nas mãos das duas intérpretes cercadas de um teatro de qualidade (figurino, cenário, projeções), que merece ganhar o país.

Destaque para o trio de musicistas que acompanham o jogo cênico de Fernanda e Thuanny. Dona de uma voz singular, Letícia Fialho (guitarra) elimina a ansiedade do espectador em ouvir o vozeirão de Fernanda cantando (ela só o faz a capela), enquanto Anne Caroline e Fernanda Pinheiro criam climas percussivos narrativos. 

Esse trio termina interpretando “Perola Negra”, de Luís Melodia, talvez a melhor definição para essa flor do cerrado chamada Afeto.

❤❤❤


Hugo Rodas, a usina, segue a todo vapor


 💥A explosão de energia de Os Saltimbancos, sucesso de público com sessões extras e filas de espera no CCBB, é só um capítulo do que promete ser o ano de 2019 para Hugo Rodas, um dos maiores criadores do DF e do Brasil. Neste mês, no Cena Contemporânea, ele estreia Prometea – Abutres, carcaças e carniças. Em cena, Gil Roberto (que assina a dramaturgia) e Micheli Santini atualizam o mito grego de Prometeu. A peça tem estreia em 22 e 23 de agosto, no Sesc Garagem. Ainda neste ano, Hugo entra em sala de ensaio para criar Poema, com a ATA (Agrupação Teatral Amacaca), e realizar o revival de Olho da Fechadura, sucesso no teatro brasiliense dos anos 1990. 
Em tempo: Saltimbancos terá sessões no Cena Contemporânea nos teatros dos SESC do Gama e de Ceilândia.


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Mais que merecido

💥O Prêmio Aplauso Brasil, na categoria de Melhor Musical Voto Popular, foi para a produção Amor Barato - O Romeu e Julieta dos Esgotos, de Ana Paula Bouzas e Fábio Espirito Santo. A obra que nasceu na Bahia, na Sala do Coro do TCA, teve uma badalada temporada em São Paulo, no Teatro Itália, mostrando a força das produções de teatro musical popular brasileiro fora do Eixo Rio-SP. Em 2017, Ana Paula esteve em Brasília para fazer a direção de movimento de L, O Musical, do Criaturas Alaranjadas Núcleo de Criação Continuada.

“Falamos de amor, falamos de sonhos e que os sonhos nos façam seguir hoje e sempre”,

Ana Paula Bouzas 

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Bibi Ferreira fortalece os musicais brasileiros






💥Os musicais As Cangaceiras e Elza tiveram, juntos, 19 indicações ao Prêmio Bibi Ferreira equipando-se às franquias Natasha, Pierre e o Cometa de 1812 e Billy Elliot, mostrando o vigor do Teatro Musical Popular Brasileira. As Cangaceiras (produção da Velonni, Fiesp e Sesi) lideram o certame empatada com o gigante Billy Elliot, ambas produções tiveram 10 indicações, enquanto Elza (Sarau Agência de Cultura Brasileira) segue ao lado de Natasha... com nove indicações cada.   

🙌💙🙌 


Teatro do Incêndio volta com sucesso avassalador



💥Reagindo à onda conservadora, o Teatro do Incêndio resolveu remontar São Paulo Surrealista e tem sessões com ingressos esgotados para os dias 15 a 17 de agosto, com extra para o dia 24. Sem verbas governamentais, o grupo ergue assim a manutenção do espaço cultural que oferece oficinas gratuitas para crianças e adolescentes no Projeto Sol-te. Em setembro, o coletivo reedita O Pornosamba e a Bossa Nova Metafísica.

"São Paulo Surrealista não é uma peça. É uma rave, uma balada, é um ritual pagão, onde o público se liberta"

Teatro do Incêndio


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República acende o farol no Pelourinho

💥Rita Assemany e Aninha Franco, parceiras históricas do teatro baiano, comemoram sucesso do espaço República, com dois espetáculos: Surf no Caos e Chiquita com Dendê. Ambos provocam burburinho no espaço mítico, cercado de livros, de arte, de conversas noite adentro e de cheiro de comida boa que ascende do quintal, com vista esplendorosa para a Baixa dos Sapateiros.

A coluna viu Surf no Caos, uma epopeia histórica, que ganha graça e vida no corpo de uma das maiores artistas do Brasil. 

Rita Assemany, aliás, pretende reeditar no local o megassucesso Oficina Condensada

Lá, a experiência teatral ganha contornos de vivências à mesa, já que todas as apresentações são seguidas de jantares regados a vinho e muito azeites apimentados por Aninha, em receitas secretas.

💭💭💭💭 

Fragmentos da história do teatro musical brasileiro
As operetas de OFFENBACH eram montadas na Franca e ganhavam a Europa. Ao montar essas operetas, no Rio de Janeiro, em 1860,o ALCAZAR produziu sucessos e estrelas, uma delas a francesa AIMMÉ, que, pelos atributos artísticos e físicos, conquistou nomes como MACHADO DE ASSIS, à época importante cronista e crítico teatral. MACHADO a chamava de “Demoninho Loiro”. 

AIMMÉ estreou no papel de EURÍDICE. Para ela, MACHADO escreveu uma crônica
“E um demoninho loiro, uma figura esbelta, graciosa, meio angélica, uns olhos vivos, um nariz como o de SAFO, uma boca amorosamente fresca, que parece ter sido formada por duas canções de OVÍDIO, enfim, a graça parisiense, toute purê”
Machado de Assis
👅👅👅

Pensamento 
Criticar é uma possibilidade de compartilhar com o ente dual, formado por artista e espectador. Troca-se sensação estética, cognitiva, emocional, sensorial. É a necessidade de interpretar as chaves de uma montagem que nos comove, que nos deixa impávidos, decifrar os meios que fazem para realizá-la. É decompor os acidentes felizes e infelizes de um projeto artístico e de uma expressão de uma postura frente o mundo, parafraseando a proposta de Peter Brook é, como o teatro, “uma maneira de pensar em voz alta”.  
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