quinta-feira, 15 de março de 2012

Cabaré das Donzelas Inocentes no Mambembão



Cabaré acende a luz vermelha
no Glauce Rocha

“A gente se acostumou, cada dia é um dia, se tem o que chorar, chora. Mas depois engole a tristeza, passa o batom e vai cheia de truque pro salão. Puta que é puta sabe fazer uma algazarra. Sabe remoer uma dor, daquelas que parece um bicho comendo tudo por dentro”

Saiana em Cabaré das Donzelas Inocentes


CABARÉ DAS DONZELAS INOCENTES

De 29 de março a 1 de abril, às 19h, no Teatro Glauce Rocha. Ingressos: R$ 5 (inteira). Não recomendado para menores de 16 anos.


Cabeluda, China, Minininha e Saiana estão num bordel onde não entra mais nenhum cliente. Mesmo assim, elas não perdem a esperança de fazer um salão bonito, com o mulherio assanhado, cerveja gelada e música na radiola de fichas. Enquanto tocam a vida, para muitos tidas como ordinária, elas expõem as memórias, que se desmancham diante do espectador como um novelo de lã. São histórias de prostitutas, sim. Mas antes de tudo narrativas de mulheres, que foram marcadas no corpo pela dor e o prazer.
Inspirada no premiado livro-reportagem Conversas de Cafetinas (Prêmio Jabuti 2010), do baiano-brasiliense Sérgio Maggio, resultado de 11 anos de pesquisa sobre a prostituição, Cabaré das Donzelas Inocentes ocupa o palco do Teatro Glauce Rocha, de 29 de março a 1 de abril, para encerrar o projeto Mambembão, da Funarte.
Em cena, reúne o talento de profissionais de destaque no cenário cultural de Brasília. A peça é marcada por estreias: é o primeiro texto dramatúrgico escrito por Sérgio Maggio (diretor, crítico, curador, professor de teatro) e o batismo na direção do experiente ator Murilo Grossi, veterano de filmes e com participações pontuais na televisão. Traz também duas gerações de atrizes de destaque, que já trabalharam juntas em outras peças como Os demônios, de Antonio Abujamra e Hugo Rodas: Adriana Lodi, Bidô Galvão, Carmem Moretzsohn e Catarina Accioly. Na co-direção, o ator e bailarino William Ferreira, que desenvolveu carreira em ascensão no cinema e televisão.
A peça estreou o Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, de 12 de novembro de 2009 e fez sucessivas temporadas no DF com sucesso de público e crítica. Teve nove indicações ao Prêmio Sesc de Teatro Candango (com estatueta de melhor atriz para Carmem Moretzsohn) e circulou por seis capitais (Salvador, Goiânia, Cuiabá, Belo Horizonte, Vitória e Recife).


A REPERCUSSÃO:
Lu Monte, jornalista no blog Dia de Folga:
“Num tempo de Genis de carne e osso, de violência dirigida a quem usa roupa curta, de abuso contra quem tem por emprego vestir-se de coelhinha da playboy, numa época em que as próprias mulheres cometem a infâmia de dizer "ela mereceu" e em que jovens acham natural bater numa mulher porque pensaram que era prostituta, Cabaré das Donzelas Inocentes vem lembrar que seres humanos são muito mais que uma profissão ou um traje. Ao fim e ao cabo, as prostitutas encenadas são simplesmente mulheres”,

Revista Bravo (seção Bravo Indica)
“A peça explora os dramas pessoais de cada uma das personagens e procura fazer um retrato não estereotipado do mundo da prostituição”,

Ricardo Daehn (Correio Braziliense)
“Sedimentado por 11 anos de pesquisas de Sérgio Maggio, o espetáculo Cabaré das donzelas inocentes embaralha a plateia quanto à realidade ou ao plano da fantasia, num jogo pulsante e imaginativo”,

Ana Brant , Correio Braziliense
“Desde a estreia da peça Cabaré das donzelas inocentes, o Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil, até pouco tempo funcionando como depósito de figurinos e cenários dos espetáculos, atravessa a sua primeira temporada com casa cheia, filas de espera e sessões extras, por conta do sucesso da montagem brasiliense dirigida por Murilo Grossi e William Ferreira”

FICHA TÉCNICA:

Espetáculo: Cabaré das Donzelas Inocentes

Dramaturgia e pesquisa musical: Sérgio Maggio

Direção: Murilo Grossi e William Ferreira

Assistente de direção: Luana Proença

Elenco: Adriana Lodi, Bidô Galvão, Carmem Moretzsohn e Catarina Accioly

Figurino e Maquiagem: Marcus Barozzi

Cenário: William Ferreira

Iluminação: Dalton Camargo

Trilha: Alex Souza

Produção executiva: Maíra Carvalho e Dani Façanha

Produção: TMTA Comunicações

Coprodução: Coletivo Sala de Estar e Criaturas Alaranjadas Produções Artísticas

Arte Gráfica: Welder Rodrigues

Jean-Pierre Sarrazac no Brasil

Teórico Jean-Pierre Sarrazac defende sobrevivência do teatro

Estudioso e dramaturgo francês vem ao Brasil e lança livro sobre os rumos da arte


Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S. Paulo

O teatro jogou por terra tudo aquilo que lhe parecia inerente há pouco mais de um século. Os espetáculos contemporâneos livraram-se do conceito de conflito. Passaram a rejeitar os diálogos. Enfraqueceram os personagens até dissolvê-los. Daí, depreende-se que o drama esteja morto. Ou será que não?


Beckett marca o fim de uma época e de um velho teatro - Sasha Gusov/ Divulgação
Sasha Gusov/ Divulgação
Beckett marca o fim de uma época e de um velho teatro

Ao menos é essa a crença que circula por aí desde que Peter Szondi discorreu sobre a “crise do drama” e o alemão Hans-Thies Lehmann lançou o seu Teatro Pós-Dramático - espécie de Bíblia do teatro de vanguarda.

Como voz dissonante, o francês Jean-Pierre Sarrazac surge para reafirmar que o drama não apenas está vivo, mas em grande forma. Em suas obras, o ensaísta e dramaturgo defende que a vigente dissociação entre texto e cena pode ser benéfica para o drama. “Vejo uma transformação genuína na forma dramática, um alargamento do drama nos sentidos da vida social e íntima”, disse ele em entrevista ao Estado, pouco antes de embarcar para São Paulo. Em sua estada no Brasil, o estudioso participa das atividades que celebram os 30 anos do CPT - Centro de Pesquisa Teatral, do diretor Antunes Filho, e também lança, pela Cosac Naify, o livro Léxico do Drama Moderno e Contemporâneo.

O senhor fala em liberar a poética do drama do movimento dialético proposto por Peter Szondi. Da mesma maneira como se contrapõe à visão fatalista de Hans-Thies Lehmann. Conclui-se, portanto, que o senhor não crê na morte do drama, correto?

Szondi escreveu Teoria do Drama Moderno em meados dos anos 1950, quando o teatro épico brechtiano era uma ideia dominante. Desde 1960, o estado de espírito e o mundo mudaram. Vimos um movimento em direção a uma maior subjetividade da forma dramática. A dimensão da intimidade - que não é o “privado”, o “doméstico” - tornou-se cada vez mais importante. Penso, por exemplo, nos trabalhos para teatro de Marguerite Duras. Para ilustrar, eu diria que não se trata de esquecer ou expulsar Brecht, mas de colocá-lo em tensão com Strindberg e sua dramaturgia da cena doméstica. Vejo uma transformação genuína na forma dramática, um alargamento do drama nos sentidos da vida social e íntima.


Aparentemente, o senhor não acredita que o termo pós-dramático seja capaz de dar conta da complexidade do teatro contemporâneo. Qual é a sua visão sobre esse conceito? Quais são as suas limitações?

Acho notável a maneira como a análise de Lehmann se relaciona com produções como as de Bob Wilson, que tratam o texto como um material reduzido à sua expressão mais simples. Lehmann entendeu o fenômeno que ocorreu no início do século 20, ou seja, a dissociação entre o drama e o teatro. Acabou o textocentrismo. Mas não devemos substituí-lo por um “cenocentrismo”. Em última análise, não concordo com Lehmann. Para mim, o drama continua muito vivo, mesmo que seu paradigma tenha mudado. Mesmo que os espetáculos hoje não se baseiem em uma peça teatral ou em uma forma dramática.


O livro Léxico do Drama Moderno e Contemporâneo, que está sendo lançado no Brasil, atualiza conceitos desse novo momento do drama. O que moveu seu grupo de estudos nesse projeto? Existe uma necessidade de rever certos conceitos?

Há mais de 15 anos, criei um grupo de pesquisa na Sorbonne Nouvelle. A construção do Léxico... foi um momento importante na vida desse grupo, que reuniu pesquisadores, acadêmicos, bem como pessoas de teatro, escritores e diretores. A ideia era forjar ferramentas poéticas e dramatúrgicas para analisar peças modernas e contemporâneas. Ferramentas como o desvio, a rapsódia, a teatralidade, a crise do diálogo, etc. Minha esperança é que este livro - que deve ser periodicamente atualizado - permita uma leitura mais atenta de autores modernos, como Ibsen e Strindberg, e contemporâneos, como Thomas Bernhard e Jon Fosse.

O senhor fala sobre o drama e suas possibilidades de reinvenção. Mas qual é sua visão sobre o teatro épico? Brecht criava fábulas de dimensão política, social. O contexto histórico mudou, tornou-se cada vez mais difícil sustentar discursos políticos unívocos. Como o épico se coloca diante disso? É possível que um teatro épico sobreviva, mesmo apartado das fábulas às quais estava ligado em sua origem?

Voltamos à questão da subjetividade. Brecht rejeitou a parte da intimidade. Ele mesmo dizia não ter ferramentas para responder a essas questões que, na verdade, não o interessavam. Brecht se destaca pela forma genial como capta o comportamento social dos homens. Mas eu diria que as peças contemporâneas revelam uma outra coisa. Trata-se de retornar a Büchner e ao seu Woyzeck, a Strindberg e à sua Senhorita Julia. Sarah Kane é muito próxima de Strindberg. Nós precisamos hoje de um teatro que realize a fusão do social, do político e da psicanálise - não como vulgata, mas como um discurso sobre o inconsciente.


Esse teatro que busca novas formas dramáticas também é - via de regra - um teatro apartado do grande público. Esse é um caminho irreversível? O teatro nunca mais será uma arte para as massas?

Meu sonho, a utopia que espero concretizar, é reconciliar arte elevada e arte popular. Assim como era na idade de ouro do teatro ocidental, como na tragédia grega, no teatro elisabetano de Shakespeare. O diretor Antoine Vitez, citando Schiller, gostava de falar em um “teatro elitista para todos”. É um belo paradoxo.


Além de rejeitar os conceitos de “crise do drama” ou “fim do drama”, o senhor defende que essa dissociação entre teatro e texto pode ser benéfica para a forma dramática. De que maneira isso se daria?

No fim do século 19, com o advento da encenação moderna - Wagner, Antoine, Stanislavski -, o texto dramático encontrou, na sua própria incompletude, a sua abertura. Em cada peça há um vazio que chama o palco, a relação com o espectador. É o que eu chamo de devir cênico de um texto teatral. Um texto forte para o teatro é aquele que tem a forma aberta, rapsódica, que não só expressa seu desejo pela cena, pelos atores, pelo público, mas também reinventa essa relação.


Em seus escritos, Beckett não surge como um autor pós-dramático, como acredita Lehmann. Da mesma forma, Koltès e Handke também não são encarados dessa forma. Por que eles lhe parecem autores de uma nova dramática e não de obras que transcendam ou neguem o drama?

É sobretudo a análise de Adorno para Fim de Partida que eu recuso. Adorno decretava ali a agonia e a morte do drama. E ele se enganava: trata-se da agonia de um velho teatro e, ao mesmo tempo, do advento da modernidade no teatro. Adorno considerava impossível que a forma dramática explicasse um aspecto fundamental da sociedade contemporânea, ou seja, o anonimato, o poder do dinheiro. No entanto, hoje, muitos autores dramáticos trabalham sobre questão do anonimato, sobre a vida banal de pessoas comuns.

Conferência

Com o diretor Sérgio de Carvalho, Sarrazac fala sobre o tema O Novo Corpo do Drama e também lança o livro Léxico do Drama Moderno e Contemporâneo (Cosac Naify, R$ 62). 21/3, 20 h.

Leitura

Nelson Baskerville conduz a leitura dramática da peça de Sarrazac, La Boule d’Or. 23/3, 21 h. Sesc Consolação. Rua Dr.Vila Nova, 245, tel. 3234-3000.

Jean-Pierre Sarrazac

Nascido em 1946, o estudioso e artista francês é professor de estudos teatrais na Universidade Paris III, onde coordena um grupo de estudos sobre o drama moderno e contemporâneo. Escreveu diversas peças de teatro, é um reconhecido autor de obras teóricas, como O Futuro do Drama e Teatros Íntimos.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Curso de teatro em Brasília


Foto de Claudia Ferrari

O ator, arte-educador e diretor Jones de Abreu, dos projetos Mitos do Teatro Brasileiro e Terça Crônica, abre nova turma de iniciação teatral.

Os(as) participantes vivenciarão noções do fazer teatral tendo como conteúdos básicos:

a – o corpo – características e posturas.

b – a voz – identidade do personagem.

c – a encenação – experiência com leituras dramáticas, improvisações e criação de textos.


Matrícula: R$ 20,00
Mensalidade: R$70,00
Inscrição no primeiro dia de aula

TURMA ADULTOS

Duração: de 06 de março a 31 de maio de 2012.

Horário: terças e quintas das 19h30 às 21h.

Local: Escola Parque da 313/314 Sul, entrada pela w2.



Informações: (61) 9937-7180.

Recomendação: uso de roupas confortáveis para os exercícios.

Outras informações pelo e-mail:
cursodeteatronodf@gmail.com

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Vida que virá

Se um dia eu nascer baleia, eu prometo que jamais vou encalhar. Vou sempre conviver com o perigo e as incertezas do mar aberto
Feb 12, 9:51 AM vía web

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Vozes

Quero pensar que sempre estou começando, que estou aprendendo, sem medo de errar mas com medo de nao fazer, amadurecendo com fracassos/êxitos